4 habilidades essenciais de trabalhadores de fábrica para uma força de trabalho forte na manufatura

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Por Mavis Kung, Senior Director of R&D

A conversa sobre habilidades na manufatura costuma se concentrar na transformação, como a automação está mudando tudo, quais novas capacidades os trabalhadores precisam desenvolver e quais serão os impactos de longo prazo para as empresas. Mas aqui está algo que observamos em centenas de instalações industriais: embora as ferramentas evoluam, as habilidades mais essenciais dos trabalhadores de fábrica não mudaram tanto quanto muitas pessoas imaginam.

Seja em linhas de montagem manuais, operações de processamento em lote ou sistemas de produção totalmente automatizados, as mesmas capacidades fundamentais continuam separando os profissionais de alto desempenho daqueles que enfrentam dificuldades. Essas não são habilidades “da moda” que surgiram com a Indústria 4.0 — elas são o elo que conecta o sucesso do passado ao desempenho do futuro.

Um dia em uma instalação de manufatura

Para entender a complexidade de um ambiente industrial típico, considere nossas observações de um dia comum em uma fábrica que estudamos recentemente. Logo no início do turno, trabalhadores inspecionavam componentes que saíam de uma nova máquina automatizada de corte. Isso envolvia verificar se as peças estavam dentro das especificações e monitorar os níveis de material. Quando a máquina precisava ser alimentada novamente, esses trabalhadores comunicavam o restante da linha para que as equipes seguintes ajustassem seu ritmo.

O grupo seguinte pegava peças de diferentes formatos e as colocava em suportes, controlando o inventário e sinalizando quando precisavam de mais peças de determinado tipo. Mais adiante na linha, outra equipe operava a máquina mais tecnicamente complexa do processo, responsável por inserir peças, realizar medições com laser e pesar os produtos finais. Quando surgiam mensagens de erro, esses trabalhadores tentavam resolver o problema antes de chamar a manutenção, mantendo todos informados durante o processo.

O que fazia essa operação funcionar não era apenas a tecnologia, eram as pessoas aplicando habilidades essenciais de manufatura ao longo do dia. Embora a automação e as máquinas desempenhassem um papel na produção, as habilidades dos trabalhadores eram, em última análise, o cérebro por trás da operação.

As habilidades de trabalhadores de fábrica que não mudam

Nossa pesquisa entrevistou mais de 800 gestores de contratação e líderes de operações em 13 países, nos setores de manufatura, construção, transporte e logística, entre outros. Quando perguntamos quais habilidades estavam mais frequentemente ausentes em novos contratados — e quais eram mais difíceis de desenvolver no trabalho — quatro se destacaram:

1. Atenção aos detalhes

No cenário da linha de montagem citado acima, um trabalhador que identifica uma variação de 1% antes que ela se torne um problema de qualidade evita recalls, incidentes de segurança e reclamações de clientes. A atenção aos detalhes apareceu como a habilidade mais frequentemente ausente e também a mais difícil de treinar. Isso acontece porque ela está ligada a características comportamentais como consciência e disciplina mental, qualidades que não melhoram significativamente após um simples treinamento inicial.

2. Resolução de problemas

Quando o sistema de medição a laser apresentou um erro, o operador não precisou esperar instruções. Ele observou o problema, formulou uma hipótese e testou uma solução. Seja para diagnosticar uma falha em sensores ou resolver um travamento mecânico, as ferramentas físicas podem mudar, mas os processos cognitivos de diagnóstico e solução de problemas permanecem praticamente os mesmos há décadas. Nossos dados confirmam o que pesquisas em psicologia organizacional já demonstram há anos: a capacidade de resolver problemas é um forte preditor de desempenho no trabalho e permanece relativamente estável ao longo do tempo.

3. Comunicação

A linha de montagem funcionava porque a informação circulava claramente entre estações, turnos e equipes de manutenção. A tecnologia pode ter mudado a forma de comunicação (de formulários em papel para tablets e dashboards digitais), mas a necessidade de transmitir informações precisas continua tão importante quanto sempre foi. Falhas de comunicação ainda geram perda de tempo, riscos de segurança e interrupções na produção, seja em uma fábrica tradicional ou em uma fábrica inteligente.

4. Habilidades técnicas avançadas

Aqui o contexto é importante. O termo “avançado” é relativo à operação. Para um trabalhador, pode significar ajustar parâmetros de uma máquina CNC. Para outro, aperfeiçoar uma técnica manual de soldagem. Para um terceiro, programar sequências de produção. A capacidade subjacente de dominar as ferramentas necessárias para a função vai além de uma tecnologia específica. Trabalhadores que conseguem aprender rapidamente a operar seus equipamentos e aplicar conhecimento técnico de forma consistente tendem a gerar melhores resultados.

A importância de contratações de qualidade

A pesquisa da Talogy reforça o que essas observações indicam: contratar pessoas com essas capacidades fundamentais gera resultados mensuravelmente melhores. O estudo identificou que 44% da rotatividade no primeiro ano ocorre devido a incompatibilidades entre as habilidades do trabalhador e o design do trabalho. Muitos funcionários não deixam o emprego por falta de conhecimento técnico, mas porque:

  • – não conseguem manter atenção em tarefas repetitivas

  • – têm dificuldade em resolver problemas de forma independente

  • – falham na comunicação clara

  • – não conseguem se adaptar às demandas técnicas da função

O setor industrial deve enfrentar 2,1 milhões de vagas de manufatura não preenchidas até 2030, e em alguns segmentos as taxas de rotatividade ultrapassam 50%.

A competição por talentos é intensa. O desafio atual de contratação na indústria não é apenas encontrar pessoas disponíveis, é encontrar pessoas capazes de realizar o trabalho e permanecer na função.

 

Contratar com base em habilidades que o treinamento não ensina

Treinamentos podem ensinar alguém a operar uma máquina específica, mas não conseguem facilmente desenvolver atenção aos detalhes, instinto de resolução de problemas, hábitos de comunicação ou aptidão técnica básica quando ela não existe. Essas habilidades fundamentais formam a base sobre a qual todo o restante é construído.

À medida que a manufatura continua evoluindo, as organizações que contratam com mais sucesso estão adotando uma abordagem diferente: identificam claramente quais habilidades realmente predizem o sucesso em seu ambiente, medem essas competências de forma sistemática e ajustam seus processos com base em resultados reais.

As habilidades que mais importam não mudam a cada avanço tecnológico. Elas são duradouras.

E contratar com base nelas desde o início, em vez de esperar desenvolvê-las depois, é o que diferencia operações industriais que lutam para sobreviver daquelas que prosperam.

Sobre a Talogy

Nós somos a Talogy. Os especialistas em gestão de talentos. Elaboramos soluções que analisam, selecionam, desenvolvem e engajam talentos em todo o mundo. Ao unir os principais psicólogos, cientistas de dados, desenvolvedores e consultores de RH, reunimos o poder da psicologia e da tecnologia para que você possa tomar as melhores decisões sobre pessoas orientadas por dados sobre pessoas. Com mais de 30 milhões de avaliações entregues todos os anos em mais de 50 idiomas, ajudamos os clientes a descobrir o brilhantismo organizacional.

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